Os 'khors' resultantes, estreitas entradas de água do mar flanqueadas por penhascos verticais que chegam a 2.000 metros, deram à região a reputação de 'fiordes da Arábia', embora sejam vales fluviais submersos em vez de vales glaciais. O Estreito de Ormuz, com apenas 40 quilómetros de largura no seu ponto mais estreito, canaliza um terço do comércio marítimo de petróleo do mundo pela costa norte de Musandam.
Khasab, a capital administrativa acessível via Rota 2 da fronteira dos Emirados Árabes Unidos em Tibat, serve como o centro de partida para cruzeiros tradicionais em dhow. Estas embarcações de madeira, construídas em Sur e Sohar usando teca importada da Índia, mantêm cascos costurados à mão e velas latinas, embora a maioria agora transporte motores auxiliares. As operadoras partem do Porto de Khasab entre as 09:30 e as 10:00, navegando pelo Khor Ash Sham até à Ilha Telegraph, um afloramento rochoso onde o cabo telegráfico submarino britânico-indiano emergiu em 1864. A estação repetidora, operacional até 1868, exigia resfriamento constante — os técnicos revezavam-se a cada seis semanas para evitar exaustão pelo calor, dando origem à expressão inglesa "going around the bend".
A vida marinha nas águas de Musandam inclui golfinhos-corcunda do Indo-Pacífico, endémicos destas latitudes e identificáveis pelas suas corcovas dorsais pronunciadas. A visibilidade frequentemente excede 15 metros durante os meses calmos, revelando colónias de coral-cérebro e tubarões-de-pontas-negras em águas rasas perto da Ilha Seebi. Aldeias costeiras como Kumzar, acessíveis apenas por barco, preservam a língua Kumzari, um híbrido de persa, árabe, português e hindi, refletindo séculos de convergência de rotas comerciais.
Os pacotes de tour em Musandam, Omã, a partir do Dubai e Abu Dhabi, representam a maioria dos visitantes transfronteiriços, com operadoras oferecendo transferes via autoestrada E11 e posto de controlo de Tibat. A península permanece isenta de visto para residentes dos Emirados Árabes Unidos que possuam autorizações de residência válidas, uma política codificada no acordo bilateral de 2018. Os tours geralmente incluem almoço a bordo com hammour grelhado, tâmaras e chai servido em copos de vidro, espelhando as tradições de hospitalidade marítima documentadas em registos portugueses do século XVII.